Retrocesso do Programa de Controle da Esquistossomose no estado de maior prevalência da doença no Brasil

Palavras-chave: Esquistossomose, Schistosoma mansoni, Saúde Pública, Epidemiologia, Doenças Negligenciadas

Resumo

RESUMO

OBJETIVO:

Descrever o quadro epidemiológico da esquistossomose no contexto do Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) no estado de Sergipe, Brasil.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foi desenvolvido um estudo ecológico de séries temporais, baseado em dados secundários do Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose da Secretária Estadual de Saúde de Sergipe, de 2008 a 2017. As informações extraídas foram analisadas com os programas TabWin, Joinpoint Regression e BioEstat.

RESULTADOS:

Em média, 36,7 ± 5,6 municípios participaram do PCE no período, com o total de 677.841 exames realizados, dos quais 59.996 foram positivos (média anual de 8,6% ± 1,2%); 4.566 dos casos positivos apresentaram alta carga parasitária (média de 7,9% ± 2,1%). De todos os casos positivos, 42.779 foram tratados (média de 68,7% ± 9,5%). O percentual de casos com alta carga parasitária apresentou tendência crescente estatisticamente significante (5,7% ao ano). Apresentaram tendência decrescente estatisticamente significante a adesão de municípios ao PCE (4,0% por ano) e o número de exames realizados (9,6% por ano). Em relação à distribuição espacial da esquistossomose, em 2011, ano de maior adesão de municípios ao PCE, cinco, 30 e 10 municípios foram, respectivamente, considerados de alta, média e baixa endemicidade. Em 2017, Siriri foi considerado como de alta endemicidade, 20 municípios foram de média endemicidade e cinco de baixa endemicidade.

CONCLUSÃO:

As ações do PCE diminuíram em Sergipe, o que somado à aparente subnotificação e ao aumento de casos com alta carga parasitária, compromete os ganhos obtidos no controle da doença.

Publicado
2020-03-10
Seção
Artigo Original