Infecção persistente pelo vírus Ilheus em hamsters dourados (Mesocricetus auratus)

  • Daniele Freitas Henriques Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Juarez Antonio Simões Quaresma Universidade Federal do Pará, Núcleo de Medicina Tropical, Belém, Pará, Brasil. Universidade do Estado do Pará, Departamento de Patologia, Belém, Pará, Brasil
  • Helen Thais Fuzii Universidade Federal do Pará, Núcleo de Medicina Tropical, Belém, Pará, Brasil
  • Eliana Vieira Pinto da Silva Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Tinara Leila Sousa Aarão Universidade Federal do Pará, Núcleo de Medicina Tropical, Belém, Pará, Brasil
  • Raimunda do Socorro da Silva Azevedo Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Samir Manssor Moraes Casseb Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Pedro Fernando da Costa Vasconcelos Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, Ananindeua, Pará, Brasil
Palavras-chave: Vírus Ilheus, Flavivirus, Infecção Persistente, Hamsters Dourados

Resumo

INTRODUÇÃO:

O vírus Ilheus (VILH) é um arbovírus de ocorrência no Brasil, pertencente a família Flaviviridae, gênero Flavivirus, enquadrado clinicamente como encefalitogênico. Estudos de infecções experimentais com alguns flavivírus demonstraram que esses possuem capacidade de causar persistência da infecção.

OBJETIVO:

Investigar a infecção persistente pelo VILH em hamsters dourados (Mesocricetus auratus).

MATERIAIS E MÉTODOS:

Os hamsters foram infectados por via intraperitoneal com VILH (9,6 DL50/0,02 mL), sendo, por um período de até 120 dias pós-inoculação (d.p.i.), anestesiados e sacrificados para coleta de amostras de sangue, urina e tecidos. Títulos virais para o VILH foram quantificados por transcrição reversa seguida de reação em cadeia mediada pela polimerase em tempo real (qRT-PCR) nas amostras biológicas, e as mesmas foram utilizadas para infectar células VERO, com confirmação da replicação viral por imunofluorescência. Níveis de anticorpos totais no soro foram determinados pela técnica inibição da hemaglutinação, as alterações teciduais observadas por meio do exame histopatológico corado por hematoxilina-eosina e detecção de antígenos virais por imuno-histoquímica.

RESULTADOS:

O VILH induziu forte resposta imune, demonstrou ser patogênico para hamsters, causando invasão neuronal, foi isolado em células VERO de vísceras, cérebro, sangue, soro e urina dos hamsters infectados e detectado por qRT-PCR no cérebro, fígado e sangue com 30, seis e 15 d.p.i., respectivamente. As alterações histopatológicas e a expressão de antígenos virais, nas amostras de fígado, rim e pulmão, ocorreram com 30 d.p.i.; e no cérebro, até quatro meses pós-inoculação.

CONCLUSÃO:

Os resultados obtidos mostraram que o VILH é patogênico para hamsters dourados e tem capacidade de causar infecção persistente em hamsters infectados por via periférica.

Publicado
2020-05-07
Seção
Artigo Original