Aspectos ecológicos da fauna de flebotomíneos em focos de leishmaniose na Amazônia Oriental, Estado do Pará, Brasil

  • Anadeiva Portela Chagas Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Parasitologia, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Daniela Cristina Soares Secretaria de Vigilância em Saúde/MS, Brasília, Distrito Federal, Brasil
  • Gilberto Cesar Rodrigues de Sousa Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Parasitologia, Ananindeua, Pará, Brasil
  • Rosangela Barros Viana Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Parasitologia, Ananindeua, Pará, Brasil
  • José Manuel Macário Rebelo Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão, Brasil
  • Lourdes Maria Garcez Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Parasitologia, Ananindeua, Pará, Brasil. Universidade do Estado do Pará, Belém, Pará, Brasil
Palavras-chave: Leishmaniose, Região Amazônica, Psychodidae, Insetos Vetores, Ecologia

Resumo

Este estudo descreve comunidades de flebotomíneos e suas variações sazonais em focos de transmissão das leishmanioses na interface urbano-rural do município minerário de Juruti, Estado do Pará, na Região Amazônica. Realizou-se captura mensal de flebotomíneos durante dois anos, em duas localidades sentinelas, Santa Maria e Paraense. Armadilhas CDC foram colocadas no intra e no peridomicílio. A amostra de 36.408 flebotomíneos teve 32 espécies representadas; as mais frequentes foram Lutzomyia longipalpis (76,8%) e Lutzomyia walkeri (19%). A riqueza de espécies foi maior em Paraense, a despeito da destacada abundância de Lu. longipalpis (85%, 23.878/27.951), sobretudo no inverno amazônico (r = 0,8; p < 0,05). Em Santa Maria, Lu. longipalpis, pouco frequente, não apresentou variação sazonal. Constatou-se a ocorrência, apenas em Paraense, no interior de residências, de flebotomíneos naturalmente infectados por Leishmania sp.: Lu. longipalpis (0,12%; 1/821), vetor de Leishmania (Leishmaniainfantum; e Lutzomyia antunesi (1,16%; 2/173), provável vetor de Leishmania (Viannialindenbergi. A alta frequência de Lu. longipalpis no período chuvoso, mas apenas em Paraense, revela influências locais determinantes da composição da comunidade de flebotomíneos e abundância de espécies. Ações integradas para a prevenção das leishmanioses devem ser contínuas e preferencialmente intensificadas de setembro a novembro, meses que antecedem as chuvas naquela região.

Publicado
2020-05-05
Seção
Artigo Original