Envenenamento por Crotalus durissus marajoensis em Muaná, Ilha de Marajó, estado do Pará, Brasil

  • Sarah Maria de Lima Faro Universidade Federal do Pará, Faculdade de Medicina, Belém, Pará, Brasil; Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Unidade de Informações Toxicológicas, Belém, Pará, Brasil http://orcid.org/0000-0001-7863-4677
  • Igor Jordan Barbosa Coutinho Universidade Federal do Pará, Faculdade de Medicina, Belém, Pará, Brasil; Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Unidade de Informações Toxicológicas, Belém, Pará, Brasil http://orcid.org/0000-0002-3403-5899
  • Maria Apolônia da Costa Gadelha Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Unidade de Informações Toxicológicas, Belém, Pará, Brasil; Universidade Federal do Pará, Núcleo de Medicina Tropical, Belém, Pará, Brasil http://orcid.org/0000-0002-5019-5980
  • Pedro Pereira de Oliveira Pardal Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Unidade de Informações Toxicológicas, Belém, Pará, Brasil; Universidade Federal do Pará, Núcleo de Medicina Tropical, Belém, Pará, Brasil http://orcid.org/0000-0002-4405-281X
Palavras-chave: Cascavel, Picada de Cobra, Acidente Ofídico

Resumo

OBJETIVO:

Relatar um caso de envenenamento por Crotalus durissus marajoensis Hoge, 1966 em Muaná, arquipélago do Marajó, no estado do Pará, Brasil.

RELATO DO CASO:

Pescador, 48 anos de idade, picado por cascavel no tornozelo direito quando caminhava em área de campo. Após o envenenamento, relatou parestesia sem dor local. Em seguida, apresentou sensação de peso na cabeça, dificuldade de abrir as pálpebras, disartria, visão turva e diplopia. Deu entrada no Hospital Municipal de Muaná, 9 h após a picada, com os sinais e sintomas referidos, acrescidos de náuseas, tontura, dificuldade de deambular e mialgia. Devido à ausência do antiveneno específico no hospital do município, o paciente foi encaminhado para o Pronto Socorro Municipal em Belém do Pará, onde chegou após 18 h do acidente, apresentando fácies neurotóxica, midríase, colúria e oligúria. O caso foi classificado como envenenamento grave e aplicado o antiveneno específico. Após quatro dias, o paciente foi transferido para o Hospital Universitário João de Barros Barreto, com evidência de neurotoxicidade, onde foram realizadas medidas de suporte clínico e exames laboratoriais. Foram observadas alterações no hemograma, no coagulograma, nos níveis de ureia, creatinina, transaminases e creatinofosfoquinase, evidenciando rabdomiólise. Apesar do tratamento soroterápico e de suporte clínico terem sido realizados tardiamente, houve evolução para a cura clínica.

CONCLUSÃO:

Ressalta-se a importância da soroterapia precoce e a raridade do envenenamento por essa subespécie, cujas características clínicas são as mesmas dos demais acidentes crotálicos relatados no Brasil.

Publicado
2020-04-06
Seção
Relato de Caso