Seguimento de crianças expostas intraútero ao vírus Zika na Região Metropolitana de Belém, Pará, Brasil

Palavras-chave: Zika Vírus, Gravidez, Infecção, Desenvolvimento Infantil, Microcefalia

Resumo

INTRODUÇÃO:

A emergência do vírus Zika (ZIKV), que afetou gravemente o nordeste do Brasil, revelou a ocorrência de malformações congênitas durante a gestação. Atualmente, têm sido registradas alterações que envolvem desde anormalidades físicas, como microcefalia, artrogripose e anomalias cerebrais detectadas por exames de neuroimagem, até alterações de comportamento, como irritabilidade e excitabilidade.

OBJETIVO:

Sob essa perspectiva, procurou-se, por meio do acompanhamento clínico e de exames laboratoriais e de imagem, uma abordagem multiprofissional com ênfase na investigação do desenvolvimento neuropsicomotor, da visão e da audição para a obtenção de informações sobre a infecção materno-fetal.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Para tal, 92 crianças nascidas de mulheres infectadas durante a gravidez pelo ZIKV foram acompanhadas no período de agosto de 2017 a julho de 2018. RESULTADOS: Entre os investigados, 55 (59,8%) crianças eram do gênero masculino; 46 (50,0%) mães foram infectadas no segundo trimestre da gestação; duas (2,2%) crianças apresentaram microcefalia ao nascimento e uma (1,1%) apresentou características clínicas compatíveis com microcefalia pós-natal. Ademais, no acompanhamento, constatou-se a existência de alterações de comportamento que podem comprometer o neurodesenvolvimento infantil, como a irritabilidade extrema, com incidência significativa (p < 0,0001), seguida de agressividade e hiperexcitabilidade, apesar de exames de imagens normais.

CONCLUSÃO:

Diante desses achados, reforça-se a necessidade de um acompanhamento multiprofissional sistemático das crianças expostas intraútero, para identificar alterações precoces e tardias associadas ao ZIKV e implementar atividades psicomotoras que possam atenuar as sequelas no neurodesenvolvimento infantil.

Publicado
2020-03-23
Seção
Artigo Original