Consumo de antimicrobianos e o impacto na resistência bacteriana em um hospital público do estado do Pará, Brasil, de 2012 a 2016

Palavras-chave: Uso de Medicamentos, Farmacorresistência Bacteriana Múltipla, Anti-infecciosos

Resumo

OBJETIVO:

Avaliar o perfil de consumo de antimicrobianos e o seu impacto na resistência bacteriana em um hospital universitário do estado do Pará, Região Norte do Brasil, entre 2012 e 2016.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram selecionadas 279 hemoculturas de pacientes adultos, de ambos os sexos, internados em enfermarias e no Centro de Terapia Intensiva (CTI), para posterior análise dos resultados de culturas de espécimes clínicos.

RESULTADOS:

As infecções primárias de corrente sanguínea representaram 60,2% do total. Os bacilos Gram-negativos (BGN) foram os microrganismos mais frequentes (51,3%), dos quais os fermentadores mostraram-se resistentes a ceftazidima (83,0%) e a cefepima (76,1%). A resistência do Staphylococcus aureus a clindamicina e a oxacilina atingiu 57,4% e 48,9%, respectivamente. Houve redução, estatisticamente significativa, do consumo global de piperacilina + tazobactam e de vancomicina. No CTI, observou-se a redução do consumo de ceftriaxona, oxacilina, piperacilina + tazobactam e vancomicina e o aumento do consumo de amicacina e meropeném (todos estatisticamente significativos). Os BGN fermentadores e o S. aureus apresentaram correlação positiva e não linear entre o aumento do percentual de resistência e o consumo de cefepima e oxacilina, respectivamente.

CONCLUSÃO:

O consumo de antimicrobianos e o impacto na resistência bacteriana variaram durante o período analisado, destacando-se a correlação positiva e não linear entre o aumento do consumo de cefepima e oxacilina e o recrudescimento das cepas de BGN fermentadores e S. aureus resistentes, respectivamente.

Publicado
2019-09-16
Seção
Artigo Original